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Botanique nasce como modelo de pós-luxo e conquista Six Senses


Por   /  21 de fevereiro de 2021  /  Sem comentários

André KlotzO Six Senses Botanique vai ampliar o número de acomodação de 18 para 34
No momento em que o setor de turismo é um dos mais afetados pela pandemia, a empresária Fernanda Ralston Semler celebra a entrada na prestigiada rede Six Senses, que escolheu o Botanique Hotel & Spa, na Serra da Mantiqueira (SP), como sua primeira unidade nas Américas. É a 20ª unidade da bandeira que tem a maioria (9) de seus hotéis na Ásia e no Pacífico, em paraísos como o Six Senses Bhutan e o Six Senses Laamu, nas Maldivas. Desde o dia 9 de fevereiro, o hotel localizado no Triângulo da Serra (entre Campos do Jordão, São Bento do Sapucaí e Santo Antonio do Pinhal) passou a se chamar Six Senses Botanique.
“O conceito já implantado no hotel, de valorização do entorno, sustentabilidade, serviço personalizado, luxo inteligente, além de uma sintonia de crenças e valores, que ficaram óbvias desde o primeiro encontro com o Neil Jacobs (CEO e fundador da Six Senses)”, conta Fernanda sobre o que teria sido determinante para a escolha do hotel inaugurado em 2012, realização de uma ideia que nasceu sete anos antes. “A localização do Botanique, na confluência de três vales, no coração da Mantiqueira, é única, e oferece uma oportunidade maravilhosa para encontrar harmonia e reconexão – consigo mesmo, com o mundo ao redor, com os outros e com a natureza”, diz o gerente-geral Dominic Scoles. “Os valores da Six Senses estão alinhados com a visão da Fernanda de luxo pós-moderno.”
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Por volta de 2003, Fernanda desenvolveu o conceito de pós-luxo baseado em cinco pilares: qualidade de matéria-prima, atemporalidade, originalidade, valor justo e propósito maior/identidade local. Em 2007, se casa com Ricardo Semler e faz as malas para viver na Mantiqueira. “A ideia de criar o Botanique nasceu exatamente para ser um exemplo do conceito de pós-luxo”, completa Fernanda.
Dominic ScolesDominic Scoles
Entre as novidades do primeiro Six Senses das Américas: novos menus do restaurante Mina (com salão envidraço apoiado em toras de madeira de uma antiga fazenda – um verdadeiro mirante para as montanhas da serra); jantar de sete etapas feito sob medida para cada hóspede; Fire Side, o novo bar no lobby e as terapias do Spa da Six Senses, de fama internacional. Na entrevista a seguir, Fernanda conta como chegou até esse momento em que está “muito feliz em poder finalmente ter o prazer de ‘brincar’ de ser proprietária”.
Forbes: Quais as lembranças da infância no Brasil? Sonhava em ser o quê quando adulta?
Fernanda Ralston Semler: Tenho as melhores lembranças da minha infância. Nasci em família quatrocentona paulistana e imensamente privilegiada. Viajávamos muito, e eu, sendo a quinta de seis filhos, vivi – até os meus 14 anos – uma época tranquila, onde a vida era feita de momentos alegres. Tive muitos problemas com as escolas onde estudei: fui expulsa de três delas por indisciplina. Apesar de conseguir boas notas, não tinha o menor interesse em aceitar as regras impostas pelos professores, mas isto não impediu de receber muito carinho por parte da minha mãe. Sempre sonhei com cenografia, pois adorava fazer montagens em brincadeiras e festas. Participava e escrevia roteiros para as peças teatrais e apresentações de final de ano. O que mais adorava eram os figurinos e a iluminação, que ainda hoje permanecem como algo que me desperta muito interesse.
F: Como foi a experiência no colégio interno em Nova York? Passou quantos anos na cidade? Qual a principal lição dessa época?
FS: Estudei no The Masters School (internato só de meninas). Diferente dos meus irmãos, e como mencionei, tive experiências ruins com várias escolas no quesito disciplina e no respeito por autoridades. Com 14 anos, meu pai ficou muito doente e nossa vida toda mudou. Foi quando, em acordo com minha mãe, fui estudar fora. Esta época foi um grande divisor de águas, pois passaria os próximos nove anos fora do Brasil e o mundo finalmente apareceu, para minha enorme surpresa, como um lugar onde a minha hiperativiadade, criatividade e rebeldia seriam grandes aliados para o meu sucesso.
Daniel CardosoFernanda Ralston Semler
F: Por que decidiu cursar teatro com especialização em cenografia em Manchester?
FS: Na época, namorava um professor de inglês e, como expliquei, sempre tive um grande interesse sobre o tema. Colocando 2 + 2 together…
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F: Como conheceu Gianni Versace? Quais os principais trabalhos que você fez para a marca?
FS: Conheci o Fabio (na época namorado do Gianni) em uma festa em Londres. Ficamos muito amigos e foi quando ele me conseguiu a oportunidade de trabalhar para a marca, a princípio ajudando na produção de festas e pequenos desfiles. Posteriormente, comecei a fazer vitrines e a ajudar na seleção de compras para as lojas que atendiam principalmente o público mais emergente (Brasil, China e Rússia). Vejo hoje que a minha maior contribuição foi exatamente ajudar com este olhar latino, em uma época em que a marca passava definitivamente a atender este público.
F: Por que voltou ao Brasil e o que fez por aqui nesse retorno?
FS: Voltei após nove anos (com quase 23 anos completos), pois meu pai estava no final de vida. Voltei imaginando que ficaria pouco tempo por aqui… Durante o primeiro ano de volta ao Brasil, e estando perto do meu pai até o seu falecimento, comecei a trabalhar com eventos de grande porte em uma agência de publicidade e eventos. Trabalhava com a gestão do atendimento de grandes clientes (Motorola, Bank Boston, Tishman Spyer, Walmart…). Uma época de muita expansão criativa e de reconhecimento do meu país.
F: Em que ano e por que criou o manifesto pós-luxo?
FS: Criei o conceito e, na sequência, o manifesto pós-luxo, em 2003, após ter entendido que o luxo nas culturas (países) mais sofisticados e esclarecidos (principalmente na moda e no design) já sinalizavam uma maneira mais inteligente de se viver luxuosamente. As grifes, com suas ostentações e falta de originalidade e empatia pela origem da matéria-prima, começaram a ficar focadas em atender aos chamados “novos ricos”. Em viagens à Noruega, Dinamarca e afins, as tendências, realmente de luxo, já se cansavam desta pegada. Foi aí que percebi que o novo luxo deveria ter “razão de ser” e que, certamente, isto cedo ou tarde chegaria para todos os aspirantes globalmente. Para me nortear nesta ideia, escrevi o manifesto e os pilares já imaginando que teria que produzir algo que validasse esta nova ideia, esse novo movimento. Nasceu a ideia de criar o Botanique, exatamente para ser um exemplo deste conceito.
F: Qual o paralelo que você faz entre os cinco pilares do movimento e as lições que estão sendo impostas pela pandemia?
FS: É uma pena que a pandemia tenha sido um grande impulso para este olhar ficar mais claro na cabeça e coração do público em geral. Na verdade, mesmo antes da pandemia, já se solidificava um movimento bonito e orgânico – principalmente dos jovens –, que passou a questionar a forma que lidamos com o luxo em geral. Percebi que o verdadeiro luxo já começava a se endereçar para experiências com valor percebido por sua originalidade, pesquisas sólidas, cuidado com seu entorno e que, por conta disto, eram de difícil acesso e tinham razão de se intitular como “vivências luxuosas”.
F: Como funcionou o trabalho de curadoria de design de Adélia Borges para o hotel?
FS: Foi uma delícia trabalhar com a Adélia. O pedido foi para que ela, como grande conhecedora do design nacional, me apresentasse o que havia de novo e original no nosso design (esquecendo os poucos nomes mainstream), e levando em conta o cuidado com que as peças eram produzidas (tiragens limitadas, uso de materiais reaproveitados sempre que possível e outros requisitos). Ela me apresentou uma lista linda, com cerca de 100 nomes. Com isto em mão, fui escolhendo as peças e o designers que mais conversavam com o DNA Botanique.
F: Como define a gastronomia oferecida pelo hotel?
FS: Na cozinha, procurei chefs que pudessem desenvolver algo único e original, e que concordassem em trabalhar o farm to table e o foraging (na época, ainda ambos pouco conhecidos). O chef do Botanique, Gabriel Broide, foi uma indicação do Rafa Costa e Silva, do Lasai. Assim que conhecemos o Gabriel, ficou claro que ele seria a grande aposta para desenvolver este trabalho único de fusão destas duas tendências, e também na valorização dos produtos e produtores locais da Mantiqueira.
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F: Qual o principal diferencial do Botanique no seleto grupo de 20 hotéis Six Senses?
FS:A equipe, que, na sua grande maioria (80%), já estava comigo desde a abertura e proporciona uma experiência de serviço inovadora. No Botanique, não temos praticamente departamentos, e todos os nossos cargos principais são multifunção. Localização privilegiada entre São Paulo e Rio de Janeiro, e o fato de que a Six Senses passa a fazer uma profissionalização e evolução de um conceito, e de um projeto, que já estava sólido e bem-sucedido.
F: Quais serão as prioridades do investimento de R$ 25 milhões?
FS: Expansão para 34 acomodações (são 18 atualmente), uma nova academia, Alquemy Bar, Experience Farm, expansão do SPA e completa reestruturação do cardápio.
F: Sua rotina e atuação no hotel após a sociedade com a Six Senses vão mudar muito?
FS: Totalmente! Durante toda a operação do Botanique atuei também como gestora principal do projeto, e de toda a operação. Hoje estou muito feliz em poder finalmente ter o prazer de “brincar” de proprietária apenas sabendo que consegui entregar este Labour of Love em mãos seguras, que certamente levarão todo este trabalho para um novo patamar de excelência.
F: Como a pandemia impactou o movimento no hotel nos últimos 12 meses? O que espera do movimento do hotel em 2021?
FS: Mesmo com os três meses de lockdown, quando tive que fechar o hotel, ainda reportamos em 2020 a maior receita da história Botanique. 2021 já se apresenta com crescimento ainda maior, tanto na receita como na ocupação. Eu não poderia estar mais segura e otimista com os resultados que estão por vir.
Veja, na galeria de fotos abaixo, imagens do Six Senses Botanique:

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Infoeconomico

Fonte: FORBES

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